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Depoimento de Alan Roberto Lima, Rio de Janeiro, Brasil

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oração · Megan Noskoviak
oração · Megan Noskoviak

 

 

 

(English · español · françias · Italiano) Alan Roberto Lima, um brasileiro de 36 anos, nascido em 1975, seria apenas mais uma triste estatística nacional, caso não tivesse dado uma reviravolta em sua história pessoal e conseguido se restabelecer como um cidadão de respeito, trazendo em sua história pessoal, marcas da violência que fizeram e ainda fazem parte da infância de milhões de crianças pobres, sobretudo das que vivem em subúrbios pobres das grandes cidades da América Latina.

Escrevi a Alan um e-mail e ele me respondeu às perguntas em forma de um depoimento que transcrevo aqui, utilizando minhas palavras em um texto em 3º pessoa.

Alan nasceu na comunidade de Vila Aliança, uma região pobre e violenta do oeste da cidade do Rio de Janeiro, uma região dominada pelo trafico de drogas e onde desde cedo crianças conviviam com armas e aprendiam que a vida não era fácil, a não ser para aqueles que iam contra a lei como assaltantes de banco, traficantes e demais pessoas que burlavam a lei e conseguiam ganhar dinheiro. Alan ressalta que a maioria das famílias da região ensinava bons valores aos seus filhos, mas a situação social vigente, empurrava esses mesmos meninos a outro caminho, aparentemente mais fácil e sem dúvida mais atraente.

A escola era encarada como uma obrigação, não um local onde se poderia ascender financeiramente e, mesmo que sua tia e sua mãe lhe cobrassem um bom comportamento, seu tio, que era o chefe da favela, tinha muito dinheiro proveniente de assaltos e esse mundo lhe chamou mais atenção, uma vez que o trabalho duro não garantia mais que o mínimo sustento das famílias. Ainda criança, Alan iniciou contato com grandes assaltantes e traficantes, conhecidos de seu tio e isso o impulsionou a na adolescência querer seguir os passos de seu tio como um futuro substituto. Nessa época já fazia uso de drogas e bebidas e tinha grandes contatos, o que o fez ganhar muito dinheiro e respeito. Muitos amigos seus foram presos, outros mortos, mas Alan, mesmo em meio ao crime, não via no uso de armas, uma opção a seguir, mesmo que por essa época seu pai tivesse sido morto pela polícia.

Nos anos seguintes, Alan era muito conhecido como o sobrinho do “Senhor das drogas” e era constantemente perseguido, tendo que viver uma vida de fugas e inconstâncias. Esses fatores estavam determinando uma mudança em sua visão, o que aconteceu definitivamente com o nascimento de sua filha aos 24 anos, o que o fez ver o mundo com outros olhos e deixar a vida do crime de lado, uma vez que não queria sua filha vivendo nesse meio perigoso e sabia que sua própria vida estava em perigo em meio ao crime e as drogas. Da mesma forma que o nascimento de sua filha, o encontro com uma nova fé o ajudou a superar seu passado e se reconciliar consigo mesmo.

Desde então, Alan seguiu uma nova vida, estabelecendo-se como um empresário da alta costura e ainda fotógrafo e produtor free lancer em auxílio a equipes de TV estrangeiras que vão ao Rio de Janeiro mostrar a realidade dos subúrbios e do tráfico, realidade que Alan viveu por muitos anos.

Hoje, como um homem do ramo de negócios, pai de família, Alan conseguiu o respeito que buscava na sociedade, bem diferente da referência negativa que teve no início de sua vida e que ainda afeta muitas crianças, que hoje ele busca ajudar.

Para mais referências sobre a vida de Alan e de pessoas marcadas pela mesma dura realidade das favelas do Rio de Janeiro, há um filme sugerido pelo próprio, intitulado “Dancing with the evil” (2009), produzido pelo inglês Jon Blair, famoso por seus documentários. Nesse filme há referências sobre a ONG a qual Alan faz parte, o que mostra que, mesmo dentro de um meio social opressor, há pessoas que buscam dar esperança, sobretudo a crianças e jovens, como uma alternativa ao terrível mundo do crime e das drogas.

Carlos Eduardo de Oliveira Ramalho

I grew up in a small town in northern São Paulo state, far from big cities and having books as my best friends since I was 4. I was raised Catholic in an common Middle Class family and had quite an ordinary childhood and adolescence, except for the fact that learning and reading were amazing for me. I read everything and started changing letters with people abroad to know about other cultures. When I was 16 I started learning English by myself and at the age of 18 I joined São Paulo State University to become 4 years later a teacher of French and Portuguese. I have worked as a Human Rights activist in NGO's in Brazil and other countries and I have a strong belief in peace, love and freedom. I call myself a dreamer and I like this description ... dream land is sometimes a nice place to be when we can't find a peaceful place to be in a busy day! Ah! I am fascinated by all kinds of Art and I can't see myself without it.

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